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Surto inflacionário nos EUA completa cinco anos e segue acima da meta do Fed

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WASHINGTON – O episódio inflacionário mais intenso nos Estados Unidos em uma geração alcança cinco anos neste mês, mantendo o Federal Reserve sob pressão para reconduzir a alta de preços ao alvo de 2% ao ano.

Índice

Cinco anos de aceleração

Em março de 2021, depois de um breve período de deflação provocado pelo início da pandemia de Covid-19, o índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) voltou a superar 2% em termos anuais. Na época, o Fed manteve os juros baixos, à espera de que a expansão de preços fosse temporária. “Queremos uma inflação de 2%, e não de forma transitória”, declarou o presidente do banco central, Jerome Powell, em coletiva naquele mês.

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A trajetória, porém, não perdeu força. No fim de 2021, o PCE avançava mais de 6% ao ano – o triplo da meta. O ápice foi registrado em junho de 2022, quando o PCE passou de 7% e o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) alcançou 9%, maior patamar desde 1981. A partir daí, o Fed iniciou a elevação mais rápida de juros em décadas.

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Efeito sobre renda e consumo

Embora o aperto monetário tenha reduzido o risco de uma espiral de preços e salários, a inflação corroeu boa parte dos ganhos de renda. Segundo cálculos citados pelo banco central, um dólar hoje equivale a cerca de US$ 0,79 de janeiro de 2020, impacto que atinge com maior intensidade as famílias de menor renda.

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Imóveis mais caros

O choque monetário foi particularmente sentido no mercado imobiliário. As taxas de hipoteca, que ficaram abaixo de 3% durante boa parte da década posterior à crise financeira de 2008, ultrapassaram 6% após 2022. O aumento adiciona centenas de dólares às prestações mensais e afasta muitos compradores da casa própria.

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Batalha ainda em curso

Na reunião marcada para esta semana, a expectativa é de manutenção dos juros. O núcleo do PCE permanece em torno de 3%, cerca de um ponto acima do objetivo. A política segue restritiva e novos choques não estão descartados: o barril de petróleo supera US$ 100 em meio ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, e o preço médio da gasolina ronda US$ 3,70 – 25% acima do nível anterior às hostilidades iniciadas em 28 de fevereiro.

Pressão política

O cenário continua a influenciar o debate eleitoral. O ex-presidente Donald Trump, que busca voltar à Casa Branca em 2024, tem explorado o descontentamento dos eleitores com alimentos mais caros, hipotecas acima de 6% e despesas médicas elevadas. Trump prometeu que os preços cairiam, mas, historicamente, recuos são raros.

Com informações de InfoMoney

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