Regras mais duras contra supersalários públicos podem poupar R$ 186,4 bilhões em dez anos, diz estudo

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Adotar parâmetros internacionais para limitar os chamados supersalários no serviço público brasileiro permitiria economizar R$ 186,4 bilhões em uma década, segundo o estudo “Comparação remuneratória internacional, cenário de redesenho salarial e impacto orçamentário”, elaborado pelo pesquisador Sérgio Guedes-Reis a pedido da República.org.
Salários acima do teto
A pesquisa comparou a estrutura remuneratória do Brasil com a de Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Chile e outros cinco países. O levantamento indica que magistrados, membros do Ministério Público, advogados públicos e defensores brasileiros recebem valores superiores aos praticados no exterior e, com frequência, ultrapassam o teto constitucional de R$ 46,3 mil mensais.
Em 2025, 22.347 juízes e pensionistas — 86,3% do total — superaram o limite legal, gerando um excedente de R$ 12,6 bilhões. A remuneração média anual da magistratura foi de R$ 1,085 milhão, cerca de R$ 90 mil por mês, quase o dobro do teto. Ainda no mesmo ano, 637 integrantes dessa carreira receberam mais de R$ 2 milhões.
Gasto mínimo de R$ 24,3 bi em 2025
Com base em 25,9 mil contracheques analisados, o estudo estima que ao menos 67,3 mil servidores de diferentes carreiras jurídicas receberam acima do teto em 2025. O valor pago além do limite constitucional somou, no mínimo, R$ 24,3 bilhões.
Distorção internacional
O grupo dos 25% mais bem pagos da magistratura brasileira — cerca de 7.400 juízes — recebe mais do que todos os 53 mil magistrados dos dez países avaliados, inclusive suas autoridades máximas. Mesmo faixas intermediárias no Brasil superam os salários máximos observados nessas nações.
Enquanto outros países utilizam tetos efetivos, regras de vinculação salarial e instâncias independentes de revisão, no Brasil verbas indenizatórias e adicionais ficam fora do limite, inflando a remuneração e dificultando o controle do gasto público.

Imagem: Internet
Potencial de economia
A projeção de economia de R$ 186,4 bilhões considera a contenção de pagamentos hoje acima do teto, a reorganização das carreiras e a revisão de benefícios. Em horizonte de 20 anos, o impacto fiscal poderia alcançar R$ 578 bilhões.
Problema também nos estados
Distorções aparecem em todas as esferas. Análise de contracheques de governos estaduais e prefeituras de capitais revelou padrões semelhantes de supersalários. Outra pesquisa, da Transparência Brasil com apoio da República.org, avaliou a divulgação de dados salariais: 14 dos 53 entes examinados receberam nota zero em transparência.
O levantamento mostrou ainda que 74% dos órgãos com falhas não oferecem informações em formato acessível e que a qualidade dos dados é baixa, com ausência de detalhamento das verbas e uso de categorias genéricas, o que dificulta a fiscalização dos pagamentos que excedem o teto.
Com informações de InfoMoney
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