Passivo oculto de até R$ 17 bilhões põe em xeque recuperação extrajudicial do Pão de Açúcar

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A recuperação extrajudicial de R$ 4,5 bilhões solicitada pelo Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) não abrange o principal temor dos investidores: um conjunto de contingências fiscais que pode chegar a R$ 16,9 bilhões, conforme as notas explicativas do balanço do quarto trimestre de 2025. Os processos, classificados como “perda possível”, não exigem provisão imediata, mas representam risco expressivo para a companhia.
Além desse montante, o GPA já provisiona R$ 1 bilhão em contingências consideradas de “perda provável”, também ligadas a disputas tributárias. Nenhum desses valores integra o plano de reestruturação protocolado na Justiça.
Origem das disputas
Entre os casos conhecidos está uma cobrança de cerca de R$ 2,5 bilhões da Receita Federal, relativa ao uso de ágio em aquisições entre 2007 e 2013. Para definir responsabilidades, o GPA abriu arbitragem que envolve o ex-controlador francês Casino. O grupo brasileiro tenta bloquear a venda da participação de 22,5% detida pelos franceses até que a questão seja resolvida.
Peso desproporcional
Gestores ouvidos pela reportagem apontam que o volume de contingências é “desproporcional” ao tamanho atual da rede, que perdeu escala após vender operações como Assaí e Casas Bahia. O valor de mercado do GPA ronda R$ 1,1 bilhão, após recuo de quase 50% nas ações em 2026. Em 2025, mesmo com receita de cerca de R$ 19 bilhões, a empresa registrou prejuízo de R$ 824 milhões.
Recuperação extrajudicial
O pedido de recuperação extrajudicial recebeu adesão de 46% dos credores; é preciso superar 50% para que o plano avance. O Itaú, maior credor, tem exposição de R$ 1,1 bilhão e exige maior aporte dos controladores antes de rolar dívidas, enquanto a família Coelho Diniz, acionista majoritária desde 2025, prefere evitar capitalização sem garantias de alongamento.
A reforma da Lei de Falências permite negociar dívidas tributárias em paralelo ao processo, mas essa etapa depende do aval da Receita Federal e da aprovação definitiva dos credores.
Troca no comando
A governança também atravessa fase de ajustes. Após as saídas dos executivos Marcelo Pimentel e Rafael Russowsky, o GPA passou a ser liderado por Alexandre de Jesus Santoro, que acumula as funções de CEO e CFO. A mudança coincide com vencimentos relevantes em 2026 e aumenta a pressão por uma negociação rápida com os bancos.

Imagem: Internet
Internamente, a companhia descarta, por ora, aumento de capital e mantém foco na rolagem dos débitos de curto e médio prazos. Ainda assim, analistas veem o litígio tributário como principal obstáculo à recuperação, em um cenário de elevada volatilidade nas ações — que registram taxa de aluguel superior a 60% e indicam forte interesse em posições vendidas.
Se confirmadas, as obrigações fiscais podem comprometer o caixa já pressionado do GPA. Por outro lado, a empresa afirma ter direito a reembolsos de até R$ 1,9 bilhão de ex-acionistas em uma disputa específica, o que poderia reduzir parcialmente o impacto líquido do passivo.
Enquanto não há definição judicial, o mercado segue cauteloso. A efetividade da recuperação extrajudicial — e o eventual aporte dos controladores — depende da clareza sobre o real tamanho das contingências tributárias.
Com informações de Seu Dinheiro
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