Lupatech pede tutela de urgência para blindagem contra credores, e ação cai quase 8% na B3

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A Lupatech (LUPA3) recorreu à Justiça em busca de proteção diante da pressão de credores. A fabricante de válvulas e cabos para o setor de óleo e gás informou nesta segunda-feira (16) que ajuizou uma tutela de urgência cautelar, passo preliminar a um possível pedido de recuperação — judicial ou extrajudicial — ainda sem data definida.
Segundo fato relevante, a decisão foi aprovada pelo conselho de administração e vem acompanhada do início de um procedimento de mediação no Centro de Mediação do Instituto Recupera Brasil. O objetivo é negociar o equacionamento das dívidas antes de formalizar o processo de reestruturação.
Em 30 de setembro de 2025, a companhia registrava R$ 171,43 milhões em dívida líquida. A notícia pressionou as ações: por volta das 10h45, os papéis caíam 7,83% na B3.
Histórico recente de endividamento
A Lupatech encerrou em 2023 uma recuperação judicial que se estendeu por quase dez anos, iniciada após dificuldades provocadas pela Operação Lava Jato e pela queda de 50% no preço do petróleo. Antes disso, tentou uma recuperação extrajudicial em 2014, quando a dívida representava 85% do patrimônio, mas não conseguiu avançar.
No auge da crise, o pedido de recuperação judicial entrou na Justiça em 2015 e só foi homologado em fevereiro de 2017. Durante o processo, 85% da dívida foi convertida em ações, a divisão de serviços petroleiros foi encerrada com a demissão de 1.800 funcionários e ativos na Colômbia e na Argentina foram vendidos.
Desafios de refinanciamento
Após sair da recuperação, a companhia voltou a crescer nas áreas de cabos e válvulas — a Petrobras segue entre os principais clientes. Mesmo assim, diversas tentativas de captar recursos falharam. De acordo com o balanço do terceiro trimestre de 2025, a Lupatech só tem acesso a linhas de crédito de curto prazo lastreadas em recebíveis, considerados voláteis.

Imagem: Internet
A gestão atribui parte das dificuldades ao cenário de juros elevados, que encarece a rolagem da dívida e dificulta a venda de ativos.
Operações e estrutura acionária
A empresa mantém unidades produtivas no Rio Grande do Sul, em São Paulo e na Bahia, atendendo principalmente o mercado de exploração de petróleo e gás. Na composição acionária, o fundo Arara Azul detém 18,45% do capital, o investidor Jose Maria de Oliveira e Silva possui 8,95% e Antonio Amaral Vilas Boas Neto, 5,09%. Os demais 67,51% estão pulverizados no mercado.
Conforme comunicado, o pedido de tutela de urgência e o processo de mediação poderão ser convertidos em recuperação extrajudicial ou judicial, “a depender do avanço das tratativas com os credores”. A companhia prometeu manter o mercado informado sobre os próximos passos.
Com informações de Seu Dinheiro
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