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Juros reais elevados pressionam ajuste fiscal e atraem capital de curto prazo, dizem especialistas

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O juro real brasileiro permanece em patamar considerado elevado por analistas do mercado financeiro: taxas de curto prazo giram em torno de dois dígitos, enquanto o prêmio de dez anos está perto de 7,50% ao ano – mais de 200 pontos-base acima da média histórica de 5,60% registrada nos últimos 15 anos. Especialistas alertam que, se a tendência não mudar, a dívida pública pode alcançar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em até uma década.

Para Luciano Rostagno, estrategista-chefe da EPS Investimentos, a redução consistente da Selic – cortada em 0,25 ponto percentual pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira, 18 de março – depende de uma política fiscal alinhada à monetária. “Sem ajuste nas contas públicas, o juro real segue alto e a dinâmica da dívida se deteriora”, afirma.

O economista Marco Antonio Caruso, do Santander, reforça que a variável fiscal é a única sob controle direto do governo. “Inflação, PIB e juro nominal sofrem influência de fatores externos; já o superávit primário pode ser definido internamente e precisará ser tratado em médio prazo”, diz.

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Gasto rígido, receita volátil

Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset, observa que os gastos públicos continuam altos e inflexíveis em relação ao PIB, enquanto a arrecadação oscila com o ciclo econômico. Essa combinação amplia a percepção de risco e faz investidores exigirem prêmio maior para financiar a dívida.

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Segundo Sichel, o prazo para um ajuste definitivo depende também do cenário externo. “Se o dólar permanecer mais fraco no mundo, o Brasil ganha algum tempo, embora a preocupação fiscal permaneça”, avalia.

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Entrada de capital especulativo

Taxas elevadas têm atraído recursos internacionais em busca de retorno – o chamado fast money. O gestor Gean Lima, da Connex Capital, lembra que investidores globais priorizam crescimento e juros altos, características que o país oferece atualmente.

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Rostagno pondera que o juro elevado evita fuga de capitais, mas traz, majoritariamente, dinheiro especulativo, menos disposto a financiar projetos produtivos e mais propenso a sair diante de aversão ao risco. Caruso acrescenta que, sem avanço fiscal, o prêmio de risco pode pressionar a moeda, como ocorreu em dezembro de 2024, quando o real se desvalorizou mesmo com juros maiores após o mercado considerar insuficiente o pacote de contenção de gastos do governo.

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Tendência global de alta

Caruso lembra ainda que, desde 2020, muitas economias convivem com elevação do juro real neutro por conta da piora fiscal generalizada. “Parte da demanda por títulos brasileiros decorre do fato de outros mercados também enfrentarem desafios fiscais”, conclui.

Com informações de Money Times

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