IBC-Br sobe 0,8% em janeiro, mas economistas veem ritmo menor adiante

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O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma antecipação do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,8% em janeiro na comparação com dezembro, em série dessazonalizada. O resultado sinaliza expansão espalhada pelos principais segmentos, mas analistas afirmam que o ciclo de juros ainda elevados deve frear o ímpeto nos próximos meses.
Setores
Levantamento da XP mostra que o setor de serviços cresceu 0,8% no mês, revertendo a fraqueza registrada no fim do ano passado. A produção industrial subiu 0,4% após três trimestres de queda, enquanto o indicador de impostos teve alta de 0,5%.
Já agricultura e pecuária recuaram 1,5%. Segundo a XP, a queda se explica por uma base de comparação alta, vinculada à safra recorde do ano anterior. Descontado o agronegócio, o IBC-Br aumentou 0,9%, indicando aceleração nas áreas mais sensíveis ao ciclo econômico.
Visões de mercado
Rafael Perez, economista da Suno Research, atribui o desempenho robusto dos serviços ao aumento da renda das famílias, à maior digitalização da economia e à expansão de serviços empresariais. Na indústria, o principal impulso veio do segmento extrativo.
Apesar do resultado forte, Leonardo Costa, do ASA Investments, avalia que o cenário continua compatível com uma desaceleração gradual. Para André Valério, economista sênior do Inter, a leitura de janeiro representa um “repique” que compensa perdas de dezembro. A mesma percepção é compartilhada por Sara Paixão, analista da InvestSmartXP.
Na comparação anual, o IBC-Br subiu 1% em janeiro, ritmo inferior ao observado em dezembro, destaca Valério.
Projeções para o ano
Matheus Pizzani, economista do PicPay, observa que fatores sazonais – como gastos típicos de início de ano, reajuste do salário mínimo e isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil – sustentaram o consumo das famílias em janeiro. Ele segue otimista para 2026, com foco em culturas exportadoras como soja e milho, mas espera perda gradual de fôlego à medida que a política monetária afeta consumo e investimento.
Imagem: Internet
A XP calcula que medidas de renda e crédito devem acrescentar 0,9 ponto percentual ao crescimento do PIB neste ano. A casa projeta alta de 1% no PIB do primeiro trimestre e expansão de 2% até o fim de 2026. A Suno Research estima crescimento de 1,8% em 2026, enquanto o PicPay trabalha com 1,7%.
Juros
Em meio à discussão sobre o próximo passo do Comitê de Política Monetária (Copom), parte do mercado passou a prever cortes menores na Selic. O Inter continua projetando redução de 0,50 ponto percentual, citando câmbio controlado e desaceleração da inflação. Valério lembra que choques prolongados no preço do petróleo tendem a esfriar a economia global, o que reforçaria a necessidade de aliviar a política monetária.
Sara Paixão aponta que inflação acima do esperado, incertezas externas e atividade doméstica mais forte devem levar o Copom a adotar tom cauteloso, com possibilidade de corte de 0,25 ponto. O PicPay projeta a taxa básica em 12% ao fim de 2026.
Com informações de InfoMoney
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