Extinção da jornada 6x1 deve elevar custos e pressionar preços no curto prazo, dizem especialistas

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A possível revogação da escala de seis dias de trabalho para um de folga deve provocar aumento dos custos empresariais e mudar os preços relativos da economia logo após a adoção da medida, avaliaram economistas e representantes do mercado ouvidos pelo Broadcast, serviço em tempo real do Grupo Estado.
O raciocínio dos analistas parte da redução das horas trabalhadas sem corte de salário. “Na largada, haverá pressão sobre a folha e isso aparecerá nos preços”, afirmou o sociólogo Clemente Ganz Lúcio, professor e coordenador do Fórum das Centrais Sindicais.
Efeito sobre inflação e consumo
Ganz Lúcio projeta que um dia extra de descanso estimulará o consumo das famílias, o que tende a puxar a inflação no início da transição. Para atender à demanda maior, empresas seriam levadas a contratar mais colaboradores, acelerando a atividade econômica.
Massa salarial em alta
Daniel Teles Barbosa, sócio da Valor Investimentos, também prevê alteração nos preços relativos em razão do crescimento da massa salarial. Segmentos que não podem interromper as operações nos fins de semana precisariam organizar escalas alternativas ou pagar horas extras, explicou o executivo.
Barbosa lembrou que o mercado de trabalho já apresenta escassez de mão de obra, enquanto plataformas digitais oferecem rendas mensais entre R$ 6 mil e R$ 9 mil a motoristas de aplicativo. Nesse ambiente, companhias formais teriam de reforçar salários e benefícios para atrair profissionais.
Dificuldade maior para micro e pequenas
Um levantamento do Ipea calcula que o fim da escala 6x1 elevará custos entre 0,5% e 6,5%, impacto que varia conforme o grau de automação e o porte dos negócios. Empresas maiores e mais automatizadas sentiriam menos; micro e pequenas, mais dependentes de mão de obra, enfrentariam a pressão mais forte.
Imagem: Internet
Para Joseph Couri, presidente do Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo (Simpi), a redução da jornada reflete tendência global e deve ser acompanhada de incentivos à modernização das menores empresas. “Quanto menos mecanizado for o segmento, maior será o impacto”, ressaltou.
Ajuste no médio prazo
Os especialistas lembram que mudanças semelhantes já ocorreram. Em 1988, a carga semanal caiu de 48 para 44 horas e, depois de um período de adaptação, o mercado se reequilibrou. Eles esperam dinâmica parecida agora, com custos subindo inicialmente e, mais adiante, realinhamento de produção, emprego e preços.
Com informações de InfoMoney
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