Fim da patente da semaglutida amplia oferta de remédios para emagrecer e deve mexer com economia global

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No primeiro fim de semana após a expiração da patente da semaglutida em mercados como Brasil, Índia, China e México, analistas já projetam efeitos expressivos na saúde e na economia mundial. A substância é o princípio ativo de canetas como Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, hoje os principais medicamentos indicados para perda de peso importante.
Explosão de lançamentos
Com a queda da proteção intelectual, são esperados cerca de 100 novos fármacos contendo semaglutida até o fim de 2024. Esses produtos não serão necessariamente genéricos nem apresentados em canetas, mas terão o mesmo princípio ativo. Enquanto isso, o Mounjaro, da Eli Lilly, segue protegido por patente.
Mercado em expansão
Projeção do J.P. Morgan indica que, até o início de 2026, apenas 7 % dos pacientes diabéticos e 2 % das pessoas obesas usarão as novas drogas, embora estudo publicado na revista Lancet estime que 27 % da população mundial seja elegível. O alto preço continua sendo o principal obstáculo ao acesso.
A consultoria calcula que o mercado global de medicamentos à base de incretinas, grupo que inclui a semaglutida, alcance US$ 200 bilhões até 2030.
Obesidade em números
Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que 44 % dos adultos têm sobrepeso ou obesidade, condição ligada a 5 milhões de mortes anuais por doenças cardiovasculares. O problema deve consumir 3 % do PIB global até 2035, segundo a Federação Mundial de Obesidade, gerando um custo anual de US$ 4,32 trilhões.
Países de baixa e média renda concentram 70 % dos casos. Na Índia, 70 % da população de 1,4 bilhão de habitantes está acima do peso; no Brasil, 62,6 % dos adultos têm sobrepeso e 25,7 % são obesos, de acordo com o Vigitel/Ministério da Saúde.
Impacto econômico previsto
Estudos citam possíveis reduções de 20 % em infartos e AVCs, menor consumo de alimentos e até economia de combustível na aviação. A Jefferies calcula que uma grande companhia aérea norte-americana pouparia mais de 100 milhões de litros de querosene por ano se cada passageiro perdesse 10 kg.
Por outro lado, um banco de investimentos norte-americano projeta queda de 1,3 % na ingestão calórica nos EUA até 2035, o que pressiona a indústria de alimentos.

Imagem: Internet
Preços em queda
No Brasil, 17 laboratórios já solicitaram à Anvisa autorização para produtos com semaglutida, e a expectativa é de redução de 30 % a 40 % nos preços ainda em 2024. A China prevê corte de até 80 %, enquanto a Índia espera ao menos 50 % de queda, acompanhada do lançamento de 50 novos remédios.
Acesso no SUS
O Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE), no Rio de Janeiro, será o primeiro serviço público a oferecer a semaglutida a 150 pacientes pelo Sistema Único de Saúde. O fornecimento do Wegovy será feito por meio de um acordo de uso compassivo com a Novo Nordisk.
Para a endocrinologista Lívia Lugarinho, chefe do Serviço de Obesidade do IEDE, as canetas têm “poder transformador” quando usadas como tratamento de uma doença complexa. Um dos beneficiados é Glaucia Rocha, 43 anos, que já perdeu 250 kg após cirurgia bariátrica e espera eliminar mais 60 kg com o novo medicamento.
Apesar da ampliação da oferta, especialistas alertam que o custo continuará alto para grande parte da população, o que pode aprofundar desigualdades no acesso ao tratamento.
Com informações de InfoMoney
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