Conflito no Golfo dispara preços de energia e pressiona mercado global

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A guerra travada há quatro semanas por Estados Unidos e Israel contra o Irã já provoca reflexos profundos nos mercados de energia. O fechamento do Estreito de Ormuz a petroleiros e a série de ataques a instalações no Golfo Pérsico reduziram a oferta de combustíveis e impulsionaram o custo de diversas commodities.
Impacto imediato nos combustíveis
Com a queda da produção de petróleo bruto na região, as refinarias perdem matéria-prima para fabricar querosene de aviação. Em Singapura, o combustível atingiu o maior valor em quase 20 anos, o que deve encarecer passagens aéreas, especialmente na Ásia.
Gás e carvão mais caros
Apesar do avanço de fontes renováveis, o carvão continua sendo o principal insumo para geração elétrica no mundo. O encarecimento do gás natural, concorrente direto na matriz energética, elevou a cotação do carvão australiano ao nível mais alto em um ano e meio.
O aumento está ligado à retração das exportações de gás natural liquefeito (GNL) do Catar, responsável por cerca de 20% da oferta global. A QatarEnergy informou que o ataque mais recente do Irã afetou instalações equivalentes a 17% de sua capacidade de exportação; os reparos podem levar até cinco anos.
Europa sente mais que EUA
Os preços europeus do gás natural alcançaram o maior patamar desde a invasão russa da Ucrânia, em 2022. Nos Estados Unidos, a oferta abundante extraída por fraturamento hidráulico limita a escalada. Em dólares por milhão de BTU, o gás europeu custa quase sete vezes mais do que o americano.
Petróleo: Brent avança mais que WTI
O barril de petróleo se valorizou de forma desigual. O West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu menos que o Brent, mais exposto às tensões no Oriente Médio. O desconto do WTI frente ao Brent atingiu o maior nível desde 2014, período anterior à liberação das exportações de petróleo cru pelos EUA.
Custo de transporte e derivados
Para navios fora do Golfo, o frete também encareceu. Em Singapura, o preço do combustível marítimo está no ponto mais alto em ao menos dez anos, refletindo a menor disponibilidade de petróleo do Oriente Médio.
Imagem: Internet
Nos postos de gasolina dos Estados Unidos, o galão da gasolina comum subiu para US$ 3,88, o maior valor em mais de três anos. Em janeiro, o preço havia atingido o piso de cinco anos. Antes do conflito, o então presidente Donald Trump costumava ressaltar a gasolina barata durante seu mandato.
Efeito nos produtos do dia a dia
Países do Oriente Médio envolvidos no conflito são grandes fornecedores de petroquímicos. O etileno, base para a produção de plástico, registrou forte alta e provoca volatilidade no mercado global, encarecendo itens cotidianos que utilizam a resina.
Os indicadores mostram que o choque energético iniciado no Golfo Pérsico tende a repercutir por anos, com efeitos em cadeias produtivas que vão de passagens aéreas a brinquedos de plástico.
Com informações de InfoMoney
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