Calotes corporativos e dúvidas sobre Selic acendem alerta em fundos de crédito privado

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O aumento de casos de inadimplência em títulos corporativos, como os registrados por Banco Master, will bank, Ambipar e, mais recentemente, Raízen, colocou os fundos de crédito privado em estado de alerta. Relatório da Empiricus, divulgado em março, mostra que a combinação entre desempenho fraco e eventos de crédito é apontada por gestores como a principal ameaça a um possível movimento de resgates em massa.
No levantamento, 17 das maiores gestoras de crédito do país — responsáveis por R$ 2,34 trilhões — indicaram “performance negativa” (86% das respostas) e “eventos de crédito” (73%) como os gatilhos mais prováveis para saídas de investidores. A pesquisa destaca que a volatilidade na precificação de debêntures, CRIs e CRAs no mercado secundário tem pressionado o resultado dos fundos, reduzindo o retorno em relação ao CDI.
Segundo o relatório, a forte demanda por títulos em 2024 e 2025 derrubou os spreads. Agora, mesmo uma retirada modesta de recursos provoca oscilações expressivas nos preços, afetando o chamado carrego diário. “Com caixa elevado e spreads comprimidos, qualquer estresse pode levar o retorno a ficar abaixo do CDI em períodos curtos”, aponta o documento.
Questionados sobre outros fatores que podem acelerar saídas, os gestores citaram o início do ciclo de corte de juros (52%), maior apetite por risco em outras classes (52%), CDI abaixo de 1% ao mês (50%) e migração para aplicações diretas, como CDBs, LCIs, LCAs ou debêntures individuais (45%).
A expectativa em torno da Selic, entretanto, tornou-se mais incerta após o conflito entre Estados Unidos, Irã e Israel. A projeção de redução de 0,50 ponto percentual na reunião de março passou a 0,25 p.p., e parte do mercado já não descarta manutenção dos atuais 15% ao ano. Para o fim de 2026, a estimativa média subiu de 12% para 13%.

Imagem: veículos como VOCÊ S
Taxas mais altas podem preservar o rendimento dos fundos, mas também pressionam a saúde financeira das companhias emissoras. Gestores ouvidos pelo relatório afirmam que os preços ainda elevados das debêntures não compensam o risco adicional percebido após as recentes recuperações judiciais e defaults. Nesse cenário, títulos públicos, CDBs e letras financeiras de grandes bancos ganham espaço como alternativas de menor risco.
Com informações de Seu Dinheiro
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