BIS recomenda cautela a bancos centrais diante de alta nos preços de energia

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O Banco de Compensações Internacionais (BIS) alertou nesta sexta-feira (16) que as autoridades monetárias não devem reagir de forma excessiva à recente disparada nos preços globais de energia provocada pela crise envolvendo o Irã. Para a entidade, o choque aparenta ser de oferta e possivelmente temporário, o que justificaria uma postura mais prudente de política monetária.
Desde o início de março, o barril de petróleo acumula alta de cerca de 40%, enquanto o gás natural no atacado subiu quase 60%. A escalada lembrou o salto inflacionário de 2022, quando a invasão russa à Ucrânia e a reabertura pós-Covid forçaram grandes bancos centrais, como Federal Reserve (Fed) e Banco Central Europeu (BCE), a elevar juros aos maiores níveis em décadas — movimento considerado tardio por analistas na época.
“Olhar além do choque”
“Se for um choque de oferta e, certamente, se for temporário, este é o caso clássico em que se deve olhar além do choque e não responder imediatamente com política monetária”, afirmou Hyun Song Shin, principal consultor econômico do BIS, durante apresentação do relatório trimestral da instituição.
Os comentários chegam às vésperas de reuniões decisivas de política monetária. Fed, BCE, Banco da Inglaterra, Banco do Japão e Banco Central do Brasil deliberam sobre juros pela primeira vez desde o agravamento da tensão no Oriente Médio, em 28 de fevereiro.
Mercado ajusta apostas
Desde o início da crise, operadores reduziram pela metade a expectativa de cortes de juros do Fed neste ano, projetando apenas uma redução. Para o BCE, as curvas precificam integralmente um aumento até julho e atribuem 85% de chance a um segundo ajuste antes de dezembro. “É uma reação instintiva”, avaliou Shin, observando que os principais indicadores de inflação ainda não se moveram na mesma magnitude.

Imagem: Internet
Comunicação em foco
O relatório do BIS destaca também mudanças na forma como bancos centrais se comunicam. Segundo o documento, cresce o uso de cenários para explicar riscos, complementando gráficos em leque e análises qualitativas. Diversas autoridades passaram a publicar projeções próprias de juros no contexto de diferentes cenários, afastando-se da prática tradicional de orientação futura (forward guidance).
Volatilidade monitorada
A entidade mencionou ainda episódios recentes de oscilação nos mercados, incluindo fortes vendas de ações ligadas à inteligência artificial e turbulências no crédito privado. “Precisamos acompanhar, mas não vemos grande disrupção no momento”, disse Frank Smets, vice-chefe do departamento monetário e econômico do BIS.
Com informações de InfoMoney
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