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Copom inicia reunião sob impacto da alta do petróleo e economistas divergem sobre ritmo do corte da Selic

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reúne-se nesta terça-feira (17) e quarta-feira (18) para decidir o futuro da taxa básica de juros, a Selic, em um ambiente mais incerto do que o previsto há poucas semanas. A escalada do preço do petróleo, impulsionada por ataques contra o Irã, elevou o risco inflacionário e dividiu as projeções sobre a intensidade do primeiro corte do atual ciclo.

Índice

Projeções revisadas

Até o início do mês, a maioria dos analistas esperava redução de 0,50 ponto percentual, levando a Selic de 15,0% para 14,5%. Agora, várias casas revisaram suas apostas:

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  • Forum Investimentos – corte de 0,25 p.p. Bruno Perri, economista-chefe, estima Selic em 12% ao fim de 2026, mas admite incerteza sobre o ritmo ao longo do caminho.
  • C6 Bank – também projeta 0,25 p.p., justificando cautela diante de pressões externas e desancoragem das expectativas de inflação.
  • Austin Rating – mantém previsão de 0,50 p.p. e Selic terminal a 11,5%. Para Rodolpho Sartori, a política de preços da Petrobras ainda contém repasses do petróleo, o que daria espaço para corte maior.
  • Warren Investimentos – aposta em 0,50 p.p., mas elevou a projeção da Selic no fim de 2026 de 12% para 13%, prevendo interrupção antecipada do ciclo por instabilidade internacional.
  • Suno Research – cenário-base de 0,50 p.p., porém espera 0,25 p.p. nesta primeira reunião; terminal estimado em 12,5%.

Petróleo em foco

O barril Brent passou de média de US$ 66 em janeiro para US$ 94,30 em 9 de março e atingiu US$ 100 na sexta-feira (13). Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem nos preços internos chegou a 72% no diesel. Economistas avaliam que a Petrobras pode não conseguir segurar os repasses por muito tempo, o que pressionaria a inflação e exigiria juros mais altos por período prolongado.

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Perri, da Forum, avalia que manutenção do Brent em torno de US$ 100 por dois a três meses alteraria “radicalmente” o cenário da próxima reunião do Copom, agendada para 27 e 28 de abril. Já Sartori, da Austin, acredita que impacto será limitado caso o conflito dure menos de um mês.

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Dados domésticos mistos

Além do choque externo, o Copom analisará indicadores internos. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou 112.334 vagas formais, acima da expectativa de 95 mil, e a produção industrial mostrou alta em janeiro. Por outro lado, o IPCA-15 de fevereiro subiu 0,84% (previsão de 0,56%) e o IPCA cheio marcou 0,70% (consenso de 0,61%), com pressões disseminadas.

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Estudos do Departamento de Pesquisas Econômicas do Banco Daycoval indicam que, com o petróleo a US$ 80, a inflação poderia avançar de 3,4% para 5,0% em 2026 e de 3,2% para 3,7% no terceiro trimestre de 2027. Caso a cotação recue aos níveis pré-conflito seis meses após o choque, o efeito tende a ser bem menor.

Na avaliação de Gustavo Sung, da Suno, “a dúvida já não é se os juros começarão a cair, mas qual será a magnitude do primeiro movimento”. O tom do comunicado após a decisão será acompanhado de perto, pois indicará se o Banco Central pretende manter cortes graduais ou acelerar o compasso quando o cenário externo se normalizar.

Com tantas variáveis em jogo, analistas veem pouca chance de pausa no início do ciclo, mas reconhecem que o tamanho dos ajustes pode ser menor até que a trajetória do petróleo e seus reflexos sobre a inflação fiquem mais claros.

Com informações de InfoMoney

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