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Itália prepara plano para retomar energia nuclear quatro décadas após desativar último reator

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O governo da primeira-ministra Giorgia Meloni iniciou consultas técnicas e diplomáticas para recolocar a energia nuclear na matriz italiana, quase 40 anos depois do desligamento do último reator do país e 15 anos após uma tentativa frustrada de reverter a proibição.

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Segundo fontes próximas às discussões, autoridades italianas viajaram ao Canadá para avaliar projetos de pequenos reatores modulares (SMR) e mantiveram conversas com representantes franceses sobre a experiência daquele país no setor. Internamente, também são analisadas opções dos Estados Unidos e da Coreia do Sul.

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Pressão por energia mais barata

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Meloni defende a energia atômica como forma de reduzir os elevados custos de eletricidade que afetam as empresas italianas. “A Itália deve reiniciar seu programa nuclear o mais rápido possível”, afirmou nesta terça-feira (data não especificada) o ministro da Energia, Gilberto Pichetto Fratin, ressaltando que as futuras usinas precisam ser seguras e economicamente viáveis.

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Resistência popular e desafios de custo

O retorno ao nuclear exigirá reverter a opinião pública: o país vetou a tecnologia em dois referendos, em 1987 e 2011. Além disso, projetos do tipo costumam registrar atrasos e estouros de orçamento, como ocorreu recentemente na França e no Reino Unido.

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Dependência do gás expõe economia

A Itália importa a maior parte do gás natural que consome e foi fortemente impactada em 2022 pela disparada de preços provocada pela guerra na Ucrânia. A atual tensão no Oriente Médio, que restringe a oferta de petróleo e gás, reforça a urgência por fontes internas de energia.

Primeiros passos já adotados

Em 2023, o gabinete italiano aprovou um marco legal que autoriza a elaboração de um plano nuclear estratégico até 2027 — o primeiro movimento concreto para desfazer a proibição imposta em 1987. No mesmo período, Enel SpA (51%), Ansaldo Energia SpA (39%) e Leonardo SpA (10%) criaram a Nuclitalia, companhia dedicada a estudar a viabilidade econômica da energia atômica no país.

Tecnologias em análise

Roma avalia tanto reatores de grande porte quanto os SMR, considerados mais rápidos e baratos de construir. Propostas francesas são vistas como complementares à indústria local, enquanto a norte-americana Westinghouse surge como alternativa caso o governo deseje fortalecer laços com Washington. Já a Korea Hydro & Nuclear Power e projetos canadenses de SMR também estão na mesa.

Localização e segurança

A escolha de sítios para novas usinas se concentra, por enquanto, em áreas que já abrigaram reatores no passado. Qualquer ponto precisará apresentar estabilidade geológica, desafio para um território estreito e suscetível a terremotos. A mesma resistência política e burocrática que afeta grandes plantas também pode atingir os SMR, que geram cerca de um terço da potência de usinas convencionais.

Os debates continuam enquanto a União Europeia flexibiliza regras de financiamento para projetos nucleares e outros países do bloco, como a Polônia, planejam construir seus primeiros reatores.

Com informações de InfoMoney

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