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Crianças acumulam dívidas feitas por pais que usam CPF dos filhos, apontam especialistas

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O uso irregular do CPF de menores por pais ou parentes tem levado milhares de brasileiros a chegar à maioridade já negativados. Investigações parlamentares identificaram mais de 763 mil contratos de crédito firmados em nome de crianças e adolescentes, totalizando cerca de R$ 12 bilhões em débitos.

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Projeto de lei quer reforçar proteção

Para enfrentar a prática, a deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA) protocolou em fevereiro o Projeto de Lei Criança sem Dívida. A proposta altera dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente, Código Civil, Código de Processo Civil, CLT e Código Penal, criando salvaguardas contra abuso financeiro de menores, disciplinando situações de emancipação, doações, exercício empresarial e prevendo crimes ligados à utilização fraudulenta de dados de crianças.

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CPF emitido já no registro de nascimento

Segundo o advogado Gustavo Filippi, do escritório Henneberg Ferreira Marques Advogados, a emissão automática do CPF nos cartórios desde 2015 facilita o acesso de familiares aos dados dos filhos. O problema costuma aparecer anos depois, quando o jovem tenta abrir conta bancária, financiar um bem ou conseguir emprego e descobre restrições em seu nome.

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Facilidade de serviços digitais amplia risco

Marcos Poliszezuk, fundador do Poliszezuk Advogados, observa que o aumento dos serviços financeiros online reduziu as barreiras de verificação de identidade, tornando mais simples a abertura de contas ou contratação de crédito apenas com dados básicos. Com o próprio documento dos filhos em mãos, pais já negativados recorrem a esses CPFs para novas operações.

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Para a advogada Daniela Poli Vlavianos, sócia do Poli Advogados e Associados, a combinação de processos digitais frágeis e alto endividamento das famílias — estimado em 80% pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) — cria ambiente favorável ao uso indevido de dados de menores.

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Impacto também atinge empresas familiares

O consultor Guilherme Augusto Girotto, do Bruno Boris Advogados, lembra que cerca de 90% das companhias brasileiras têm composição familiar, respondendo por 65% do PIB e 75% dos empregos, segundo o IBGE. Nessas empresas, é comum incluir filhos como sócios ou corresponsáveis em operações financeiras sem que eles entendam as consequências.

Consequências jurídicas

Especialistas afirmam que recorrer ao CPF do filho configura abuso do poder familiar, pois o Código Civil determina que esse poder deve proteger o menor. Quando descoberto, o jovem pode ingressar na Justiça para declarar a inexistência das dívidas, retirar o nome dos cadastros de inadimplentes e pedir indenização por danos morais. Também é recomendável registrar boletim de ocorrência, já que a conduta pode acarretar responsabilidade civil e até penal para o responsável.

Dificuldade de denunciar

Apesar dos instrumentos legais, muitos jovens evitam processar os próprios pais, prolongando a solução do problema. Para reduzir casos, advogados defendem que bancos e fintechs reforcem a checagem de identidade de menores e avaliam a criação de bloqueios automáticos de crédito para CPFs de crianças.

Enquanto não houver mecanismos mais robustos de verificação, especialistas acreditam que o uso indevido do CPF de menores continuará ocorrendo com frequência.

Com informações de InfoMoney

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