Itaúsa pode adicionar R$ 8,7 bilhões ao valor da companhia com fim de ineficiência tributária, projeta Bradesco BBI

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A Itaúsa (ITSA4) deve se beneficiar diretamente da reforma tributária aprovada no ano passado, segundo relatório dos analistas Marcelo Mizrahi e Renato Chanes, do Bradesco BBI. A estimativa do banco é de um ganho potencial de R$ 8,7 bilhões no valor da holding a partir de 2027, quando a nova regra deixar de tributar dividendos e lucros de subsidiárias.
Projeção de alta na ação
O Bradesco BBI manteve recomendação de compra para o papel e fixou preço-alvo em R$ 15,40, o que representa upside de 15% sobre o encerramento de sexta-feira (23). Nas últimas semanas, a ação acumula valorização superior a 30%, puxada, sobretudo, pelo desempenho do Itaú Unibanco (ITUB4), principal investida da holding.
Fim da “dupla tributação”
Hoje, a totalidade dos juros sobre capital próprio (JCP) recebidos do Itaú sofre a incidência de cerca de 9,25% de PIS/Cofins. Além disso, como a participação da Itaúsa no banco é indireta – feita via IUPAR –, há cobrança de imposto em duas etapas.
Os analistas exemplificam: se o Itaú declara R$ 1.000 em JCP, a holding teria direito a R$ 372. Após os tributos, porém, apenas R$ 323 chegam ao caixa, perda de R$ 49 (13,2% do valor bruto). A reforma tributária elimina essa distorção.
A conta do Bradesco BBI considera custo de capital próprio de 15,5% e crescimento de 6% ao ano. Nessas premissas, o valor incremental calculado chega a R$ 8,7 bilhões.
Impacto no caixa e nos dividendos
Durante teleconferência de resultados, o presidente da Itaúsa, Alfredo Setubal, estimou economia anual de R$ 850 milhões em despesas tributárias após a mudança. Segundo ele, o fluxo de caixa deverá cobrir amortizações sem necessidade de novas captações e, com possível queda dos juros, poderá haver recursos excedentes.
Setubal acrescentou que os valores extras poderão ser destinados a novos investimentos ou a distribuições adicionais aos acionistas: “Normalmente, repassamos o que recebemos do Itaú, mas, dependendo do cenário, podemos fazer pagamentos adicionais”.
Imagem: Renan Dantas
Outros motores de valor
O Bradesco BBI também vê potencial de geração de caixa crescente com:
- Redução das despesas financeiras, em razão da menor alavancagem;
- Operação mais robusta das investidas não financeiras, como Alpargatas (ALPA4) e Motiva (MOTV3);
- Possível oferta pública inicial (IPO) da Aegea.
No caso da Aegea, a Itaúsa atualizou o valor justo de sua participação para R$ 5,6 bilhões, ante R$ 2,4 bilhões, após nova rodada de capital que precificou as ações em R$ 55,29. A fatia total da holding na empresa de saneamento subiu para 13,27%.
Para os analistas, “a partir de 2027, esperamos expansão relevante do lucro e da geração de caixa, o que pode se traduzir em maior distribuição aos acionistas”. O dividend yield projetado pelo BBI é de 9%.
Com a combinação de economia tributária, queda de despesas financeiras e possíveis ganhos com a Aegea, a Itaúsa mantém, na avaliação do banco, perfil atrativo de retorno e menor assimetria de riscos.
Com informações de Money Times
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