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Juro real em patamar elevado seduz capital especulativo e reduz tempo para ajuste fiscal, avaliam especialistas

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Economistas ouvidos pelo Broadcast alertam que o juro real brasileiro, hoje perto de dois dígitos no curto prazo e em torno de 7,50% no longo, supera a média histórica e pode levar a dívida pública a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) dentro de uma década. O cenário, afirmam, exige um ajuste fiscal crível com rapidez, apesar do corte de 0,25 ponto porcentual na Selic anunciado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira, 18, que reduziu a taxa básica para 14,75% ao ano.

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Pressão sobre a trajetória da dívida

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Para Luciano Rostagno, estrategista-chefe da EPS Investimentos, a política monetária só conseguirá afrouxar de forma consistente se houver sintonia com a política fiscal. Caso contrário, as projeções já indicam que o endividamento do País alcançará 100% do PIB em dez anos, nível considerado insustentável para economias emergentes.

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Fator fiscal como variável de controle

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Marco Antonio Caruso, economista do Santander, lembra que o superávit primário é a única variável sob controle direto do governo capaz de influenciar o juro real. «PIB, inflação ou mesmo o juro nominal dependem de fatores de mercado; o resultado primário, não», afirma, reforçando que o tema precisará ser enfrentado em prazo médio.

Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset, observa que o Brasil convive com gastos elevados e rígidos, enquanto a arrecadação oscila conforme o ciclo econômico, o que piora a percepção de risco e eleva o prêmio exigido pelos investidores.

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Taxa supera média histórica

Caruso destaca que o juro real de dez anos gira em torno de 7,50%, contra média de 5,60% nos últimos 15 anos, diferença de cerca de 200 pontos-base. O movimento começou em 2022, quando a curva superou a média histórica.

Rostagno lembra que a taxa real ficou alta desde que o Banco Central saiu da Selic de 2% para 15% ao ano no pós-pandemia, deteriorando a dinâmica da dívida e encurtando o tempo para uma solução fiscal.

Influência do ambiente externo

Sichel ressalta que fatores globais podem alongar ou encurtar esse prazo. Um dólar mais fraco, por exemplo, cria janela maior para ajustes, embora a preocupação permaneça.

Entrada de capital de curto prazo

O patamar elevado do juro real chama atenção de estrangeiros em busca de retorno. Segundo Gean Lima, gestor da Connex Capital, investidores globais procuram «crescimento e taxa», combinação que o Brasil oferece no momento.

Atraído pelo rendimento, o fluxo, porém, tem perfil especulativo. «O juro alto evita saída de recursos, mas não estimula capital produtivo», diz Rostagno. Caruso acrescenta que, sem solução fiscal, o prêmio de risco pode prejudicar a moeda, como ocorreu em dezembro de 2024, quando o real se desvalorizou mesmo com juros altos, após o mercado julgar insuficiente o pacote de contenção de gastos do governo.

Tendência internacional

O economista do Santander observa ainda que, desde 2020, várias economias registram alta no juro real neutro por causa do deterioro fiscal. Essa piora global, segundo ele, faz com que o desafio brasileiro pareça menos isolado e mantenha a demanda por títulos nacionais.

Especialistas concordam, contudo, que depender de juros elevados para atrair recursos não é estratégia sustentável; quanto mais tempo o ajuste fiscal demorar, maior o risco para a trajetória da dívida e para a estabilidade econômica.

Com informações de InfoMoney

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