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Boom de investimentos: baixos impostos e alinhamento com EUA impulsionam economia do Paraguai

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Entre Brasil e Argentina, o Paraguai de 6,1 milhões de habitantes deixou de ser mero país de passagem e atrai, cada vez mais, empresários e capitais estrangeiros. Impostos reduzidos, reformas fiscais e a aproximação política com os Estados Unidos colocaram Assunção no radar de investidores da América Latina e de Wall Street, gerando um salto superior a 60% nos pedidos de residência em 2025.

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Investimento estrangeiro em alta

De acordo com o Banco Central paraguaio, a participação do Brasil no investimento direto externo subiu de menos de 12% para cerca de 15% entre 2020 e o fim de 2024. No ano passado, autoridades migratórias receberam quase 50 mil solicitações de residência; metade foi feita por brasileiros, seguidos por argentinos, alemães, bolivianos e espanhóis.

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Prédios comerciais modernos e concessionárias de carros de luxo se espalham por Assunção, mas a infraestrutura da capital ainda corre para acompanhar o avanço. Selene Rojas, diretora do Shopping del Sol, afirma que 120 mil pessoas circulam semanalmente pelo centro de compras — alta de 30% em três anos. “Antes éramos a garota mais feia do baile. Hoje, todo mundo nos chama para dançar”, resume.

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Apoio dos mercados financeiros

O reconhecimento de grau de investimento pela S&P Global em 2023 e pela Moody’s Ratings em 2024 reforçou o apetite de investidores por títulos paraguaios. Após captar cerca de US$ 500 milhões em 2024 na primeira emissão global em guaranis, o país vendeu um recorde de US$ 1 bilhão na moeda local no mês passado. “É um diploma de graduação”, disse o ministro das Finanças, Carlos Fernández.

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Peña intensifica relações com Washington

Desde que tomou posse, em agosto de 2023, o presidente Santiago Peña fez mais de 50 viagens internacionais para apresentar o Paraguai como destino de negócios. Aliado do ex-presidente Donald Trump e apoiador de iniciativas norte-americanas de segurança, Peña participou, neste mês, de reunião em Miami com outros líderes latino-americanos. Dias depois, o Congresso paraguaio aprovou acordo que permite a presença de tropas dos EUA no país.

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O subsecretário de Estado norte-americano, Christopher Landau, elogiou a postura paraguaia na ONU e o reconhecimento diplomático de Taiwan — único caso na América do Sul. A escolha, porém, impede a venda de carne e soja à China e afasta investimentos de Pequim.

Modelo da Lei de Maquila

A legislação que concede isenção fiscal a empresas produtoras para exportação transformou-se em pilar do crescimento. As vendas externas sob esse regime quadruplicaram em dez anos, alcançando cerca de US$ 1,2 bilhão em 2023. A Blue Design, do empresário argentino Jorge Bunchicoff, exporta um milhão de peças de denim premium por ano para Estados Unidos, Reino Unido e Japão, abastecendo marcas como Lacoste e Good American.

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Empreendedores brasileiros também migram. O paulista Felipe Bertolini, 24, solicitou residência em fevereiro para fugir da carga tributária que considera inviável ao seu negócio de factoring e securitização. “Empresas fecham no Brasil e vêm para cá”, afirmou.

Desafios persistem

Apesar do avanço, o país enfrenta entraves: mais de 60% da força de trabalho está na informalidade, cerca de 20% da população vive abaixo da linha da pobreza e o Paraguai só perde para a Venezuela no índice de percepção de corrupção da Transparência Internacional.

Mesmo assim, Peña projeta manter o ritmo. Em entrevista à Bloomberg TV, declarou que o Paraguai seguirá crescendo acima da média sul-americana e, “muito em breve”, terá a maior renda per capita da região, superando Uruguai e Chile.

Com informações de InfoMoney

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